Isto é um post.

René Magritte, pintor surrealista belga, pintou um cachimbo e escreveu embaixo: “Ceci n’est pas une pipe”Isto não é um cachimbo.
O mundo da arte nunca mais foi o mesmo.
Ou foi.
Ou talvez nunca tenha sido. 🤔

Afinal, Magritte não estava mentindo. Aquilo realmente não era um cachimbo. Era apenas a imagem de um cachimbo. Você não podia enchê-lo de fumo, acendê-lo ou fingir que era um filósofo francês pensando sobre a vida. Era tinta sobre tela. Um truque elegante para lembrar algo que esquecemos o tempo todo: representação não é a coisa em si.

E foi exatamente nessa armadilha deliciosa que eu resolvi tropeçar ao criar a tirinha intitulada, com toda a ousadia conceitual possível:
“Isto é uma tirinha.”

Ou será que não é?

Quando uma tirinha diz que é uma tirinha…

Na minha tirinha, você lê no topo: “Isto é uma tirinha.”
Logo abaixo, uma tira amarela serpenteia pelo espaço vazio.
E então, a frase final: “Isto não é uma tirinha.”

Pronto. Confusão instalada.

Assim como o cachimbo de Magritte, o que está ali não é exatamente aquilo que o texto afirma. Porque… o que define uma tirinha?

  • Precisa ter personagens?
  • Precisa ter piada?
  • Precisa ter quadrinhos?
  • Ou basta dizer que é uma tirinha para virar uma?

Magritte nos mostrou que uma imagem não é o objeto.
A tirinha tenta mostrar que o formato não garante o sentido.

A piada está no pensamento!

A graça não está na faixa amarela em si. Nem na frase isolada.
A piada acontece na sua cabeça, quando você percebe que está sendo puxado para um jogo de linguagem, expectativa e definição. Mas a graça se perde quando se explica a piada ou a tentativa dela, hehe.

Você olha esperando uma tirinha tradicional (começo, meio e fim) e recebe um pequeno empurrão filosófico disfarçado de humor gráfico.

É quase como se a tirinha dissesse:

“Você queria rir.
Mas antes, pense.”

Magritte aprovaria?

Talvez Magritte olhasse para a tirinha e dissesse:
“Ceci n’est pas une bande dessinée.”

Ou talvez apenas sorrisse, acendesse um cachimbo que não é um cachimbo e fosse embora, satisfeito por ver que décadas depois ainda estamos caindo na mesma armadilha, e gostando disso.

Porque no fundo, tanto o cachimbo quanto a tirinha fazem a mesma coisa:
brincam com a nossa necessidade de rotular o mundo.

E falham de propósito.

Conclusão (que não é uma conclusão)

Se isto não é um cachimbo,
se isto não é uma tirinha,
então o que é?

Talvez seja apenas um lembrete bem-humorado de que imagens mentem, palavras escorregam e certezas são frágeis.

E este post?

Bom…
isto não é apenas um post. 

Nossa senhora, destrui nesse texto! Vou até mostrar pra minha mãe. 😎

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